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Guia de fundo · o dia, minuto a minuto

O eclipse passo a passo: o que vais mesmo ver de Portugal

Quase todo o Portugal continental vai viver a 12 de agosto de 2026 um eclipse parcial profundíssimo — entre 92% e 99,9% do Sol coberto — com o Sol já muito baixo, ao fim da tarde. Não é a totalidade (essa só toca Rio de Onor e Guadramil), mas é um espetáculo raro por direito próprio, com uma condição inegociável: um horizonte oeste completamente livre. Esta é a cronologia real, calculada para Lisboa, Porto e Bragança — e o que se vê e sente em cada fase.

A cronologia nas três cidades-guia

Horários do eclipse em Lisboa, Porto e Bragança
Cidade Início Máximo Fim Sol coberto Altura do Sol
Lisboa 18:39 19:36 20:29 94,5% 10,2°
Porto 18:35 19:32 20:25 98,3% 11°
Bragança 18:34 19:30 20:23 99,9% 10°

Horas em hora de Portugal continental (WEST — menos uma hora do que em Espanha). Nos Açores tudo acontece uma hora antes no relógio local; na Madeira, o máximo é às 19:46. Os horários de todas as capitais de distrito e das ilhas estão em A que horas?; a tua terra tem página própria com o relato minuto a minuto.

≈ 18:33–18:42 — a primeira dentada

A Lua toca o bordo do disco solar primeiro no nordeste (Bragança, 18:34) e minutos depois no litoral e no sul (Lisboa, 18:39). Durante a primeira meia hora, honestamente, não vais notar nada a olho nu: a luz do fim de tarde parece normal, e só com os óculos certificados se vê a "dentada" a crescer. É o momento de confirmar o teu enquadramento: o Sol já está a caminho do horizonte oeste-noroeste e só vai descer mais.

≈ 19:15–19:30 — o mundo fica estranho

Com mais de 80% do Sol tapado, começa a parte que ninguém espera:

  • A luz torna-se metálica e cinzenta, como se alguém baixasse um regulador de intensidade — mas sem o tom quente e dourado de um entardecer normal. É um crepúsculo "errado", que muitos descrevem como prateado.
  • As sombras ficam anormalmente nítidas: com o Sol reduzido a um crescente fino, os contornos das sombras endurecem. Sob uma árvore, os interstícios das folhas projetam no chão dezenas de pequenos crescentes — o efeito de câmara escura natural. Leva um passador de cozinha ou uma bolacha de água e sal furada: cada furo projeta um mini-eclipse.
  • A temperatura desce de forma percetível e, se houver brisa, muda de caráter. Os pássaros e os grilos reagem como se anoitecesse.
  • O céu escurece para lá do normal. Nas zonas de eclipse mais profundo (interior norte, 99%+), é possível que Vénus se torne visível a olho nu perto do Sol — procura-o com atenção, sem nunca olhar diretamente para o Sol sem filtro.

19:30–19:36 — o máximo (e a diferença que os 100% fazem)

O máximo varre o país de nordeste para sudoeste: 19:30 em Bragança (99,9%), 19:32 no Porto (98,3%), 19:36 em Lisboa (94,5%), 19:38 em Faro (92,7%). Mesmo com 99,9% de Sol coberto continua a haver luz de dia: um fio de fotosfera chega para impedir a escuridão, a coroa e as estrelas. Por isso os óculos nunca saem fora de Montesinho — e por isso dizemos sem rodeios que 99% não é "quase totalidade".

Nas duas aldeias de Montesinho, e só ali, a história é outra: entre as 19:30 e as 19:31, 29 s de noite em pleno dia, com a coroa visível a olho nu. O retrato completo desse lugar — e a sua logística exigente — está no guia de Montesinho.

O aviso que repetimos porque decide o teu dia: no máximo, o Sol estará a apenas 10–11° de altura no continente — a altura de um punho com o braço esticado. Um prédio, uma serra ou um eucaliptal a oeste chegam para taparem o eclipse inteiro. Escolhe o local com a página Onde ver e confirma o horizonte à mesma hora num dia anterior.

Até 20:29 — e no sul, um pôr do sol eclipsado

Depois do máximo, a Lua liberta o Sol tão lentamente como o cobriu, já colado ao horizonte. No norte e no centro, a fase parcial termina entre as 20:23 e as 20:29. Mas no sul acontece uma raridade: segundo o nosso cálculo, em 34 concelhos — sobretudo no Algarve e no interior do Alentejo — o Sol põe-se antes de o eclipse acabar. Em Faro, por exemplo, o ocaso interrompe a fase final: o Sol desaparece no Atlântico ainda "mordido". Para fotógrafos, é um prémio de consolação extraordinário — um pôr do sol em crescente sobre o mar. Confirma na página do teu concelho se o fim chega antes ou depois do ocaso.

E quando escurecer de vez, não arrumes já a manta: nessa mesma noite as Perseidas atingem o máximo (fonte: IGN). Poucas noites na vida juntam um eclipse ao fim da tarde e uma chuva de estrelas à meia-noite.

Segurança: a regra sem exceções

Fora dos 29 s de totalidade em Rio de Onor e Guadramil, não há um único instante em todo o país em que seja seguro olhar para o Sol sem proteção certificada — nem no máximo, nem com o Sol quase posto. Usa apenas óculos EN ISO 12312-2 verificados (a checklist anticontrafação está na página Óculos) e segue as orientações oficiais de eclipse2026.pt.

Continua a partir daqui

Fontes

  • Cálculo próprio por localidade (efemérides JPL DE440s), contrastado com o IGN espanhol — eclipses.ign.es; a contagem de concelhos com fim ao ocaso sai diretamente do dataset do projeto.
  • Divulgação oficial portuguesa do eclipse e segurança ocular — eclipse2026.pt.
  • Previsão meteorológica para o dia: IPMA — ipma.pt (não publicamos percentagens de nuvens que não podemos garantir).

Todas as circunstâncias são calculadas para as coordenadas de cada localidade com as efemérides JPL DE440s e contrastadas com o Instituto Geográfico Nacional espanhol (eclipses.ign.es). Horas em hora local de cada região: continente e Madeira em WEST (UTC+1), Açores em UTC+0. Divulgação oficial portuguesa do eclipse: eclipse2026.pt.

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